Estudo da consultoria DBM revela que, de cada cinco líderes, quatro se acham melhores do que seus próprios chefes
No populacho, dá para dizer que eles estão "se achando". Pesquisa da consultoria de capital humano DBM revela que 80% dos líderes confiam mais em suas próprias habilidades do que na de seus chefes. Isso mesmo: de cada cinco presidentes, diretores ou gerentes, quatro acreditam que ocupariam com maior competência o posto de quem está acima deles. "No momento em que todo mundo se acha melhor, é porque tem muito cacique e pouco índio", diz Cláudio Garcia, presidente da DBM Brasil.
Dos 460 gerentes, diretores ou presidentes de grandes empresas que foram consultados, 76,5% disseram se comportar como líderes na maior parte do tempo. Quando a questão diz respeito a terceiros, perguntando se acreditam trabalhar junto a um chefe cujo comportamento é aquele esperado de um líder, apenas 16% disseram sim. "Isso impossibilita que muitos processos aconteçam, porque as pessoas precisam se permitir serem lideradas", explica Garcia.
Ao mesmo tempo em que se autoproclamam bons líderes e desmerecem a liderança dos seus chefes, somente 18% dos executivos dizem "visualizar claramente outras pessoas em suas organizações com perfil de líder". É aí que, segundo Garcia, mora o maior problema. "Quando se vai para uma reunião entre líderes, existe uma propensão a não se dar ouvidos às outras pessoas", afirma o presidente da DBM Brasil. Na opinião de Garcia, que lidera cerca de 180 consultores no país, a não-aceitação de outros chefes é uma questão que transcende o ser humano. "A cultura do ambiente de trabalho e os sistemas de algumas empresas, como o modo de remunerar, por exemplo, também influenciam muito", afirma.
Garcia lembra que, quando a crise econômica atual eclodiu, pouco mais de um ano atrás, a expressão "apagão de liderança" tomou grande vulto. "Foi aí que decidimos investigar para saber se os processos poderiam estar com dificuldades", explica. Agora, a DBM encaminha os detalhes finais para divulgar a segunda etapa da pesquisa, que vai apresentar um perfil do líder brasileiro. A conclusão que se chega, segundo Garcia, é de que não existe apenas um "apagão de líderes" no mundo corporativo: há, também, o que ele chama de "entropia" - ou seja, problemas nos modo como estes líderes se relacionam. "Os chefes estão precisando reconhecer seus limites", avalia.