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"Está na hora de transformar o Brasil num país rico"

10/11/2009 09:52:00

Jorge Gerdau Johannpeter elogia o modo como o governo enfrentou a crise, mas alerta que é preciso superar gargalos crônicos como o excesso de carga tributária e a falta de planejamento

"Que os políticos não me ouçam, mas quem tem alma de empresário se sente extremamente bem quando está no meio de empresários". Foi assim que Jorge Gerdau Johannpeter saudou os representantes das companhias paranaenses durante o evento de premiação do 19º ranking GRANDES & LÍDERES, produzido por AMANHÃ em parceria com a PricewaterhouseCoopers, em Curitiba. A palestra na capital paranaense foi a terceira e última de Johannpeter - que já havia marcado presença nas premiações das empresas de Santa Catarina (em Joinville) e do Rio Grande do Sul, com a palestra "Liderança no pós-crise".

É a primeira vez que os eventos do ranking GRANDES & LÍDERES contam com um palestrante brasileiro. Em 2006, por exemplo, a convidada foi Lisa Schineller, então analista de rating soberano da Standard & Poor´s, em Nova York. No ano seguinte, foi a vez de Anthony Chan, analista sênior do JP Morgan, que previu - com um ano de antecedência - o estouro da crise econômica para o terceiro trimestre de 2008. No ano passado, a atração foi o indiano radicado em Boston, Hitendra Patel, especialista em inovação.

"Já em 2009, por causa da crise, era preciso convidar alguém quem entende de negócio, que sabe como funciona a economia brasileira, o sistema financeiro e, mais importante, que conhece o mundo. Essa pessoa tinha que entender não só de economia como também de política. No fim das contas, só nos restava um nome: Jorge Gerdau", explicou Jorge Polydoro, presidente da Revista e do Instituto AMANHÃ.

Baseado na premissa de que o Brasil ainda pode explorar melhor sua capacidade competitiva, Gerdau fez questão de lembrar, nas três palestras, de um fato que protagonizou dias atrás. "Estive na China, faz umas três semanas, e logo que voltei ao Brasil fui a um almoço na CNI. Estavam servindo carne e reparei nos palitos. Achei que fossem chineses e, quando pegamos a caixa, vimos que eram mesmo. Aí perguntei pro Monteiro Neto [Armando, presidente da CNI]: palito chinês na Confederação Nacional da Indústria?". Para Johannpeter, o Brasil precisa ter uma visão de futuro, de longo prazo. A competitividade de um país, diz ele, vai além de suas empresas. "O problema é que o Brasil é, indiscutivelmente, um dos países mais complexos para se caminhar no sistema tributário e na legislação trabalhista. A Gerdau tem operação em 13 países. Mas só no Brasil temos processos judiciais", observou.

Para Gerdau, o Brasil tem, neste momento, uma rara oportunidade. Em função dos fundamentos estabelecidos, o país desta vez pode almejar não apenas sair da crise, mas iniciar um processo de desenvolvimento de longo prazo. O empresário sugeriu que se estabeleça um planejamento estratégico para 20 ou 30 anos. "Será preciso atuar em três frentes: primeiro, definir quais são as metas do país; depois, pensar como estas metas serão financiadas; e, finalmente, gerir de forma eficiente todo esse processo. O Brasil tem chance de ser um país rico. Se não conseguir, será por incompetência política ou gerencial", apontou

O presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau lamentou o fato de as empresas brasileiras terem de pagar impostos antecipadamente - e serem restituídas com apenas metade do que pagam. "Esse sistema é uma loucura. O que eu poderia fazer com o que se gasta nessas deduções? Poderia estar investindo, aumentando capacidade, reduzindo endividamento...", apontou. Outro fator criticado pelo presidente do conselho do maior grupo siderúrgico da América Latina é o excesso de gastos com o serviço público."No Brasil, são 27 Estados, cada um com um monte de gente fazendo várias coisas diferentes. No Canadá, os sistemas são eletrônicos e ‘meio funcionário' providencia o que precisar de papelada. Ah, e sem processo trabalhista", disse.

Apesar de criticar a máquina pública brasileira, Johannpeter fez questão de elogiar, nas três palestras, a maneira como o governo conduziu a economia durante o período mais agudo da crise. "Houve uma enorme capacidade de se tomar medidas acertadas. Trabalhar a demanda foi extremamente importante", elogiou.

Para o empresário, o enfrentamento da crise foi eficaz porque o Banco Central reduziu os compulsórios, o BNDES aumentou as linhas de financiamentos à indústria e impostos como o IPI para linha branca e setor automotivo foram reduzidos. "É importante fazer uma análise comportamental deste cenário. Vejam bem: tínhamos uma política fiscal extremamente ortodoxa, e se não fosse assim, não sairíamos bem da crise". Agora, diz ele, é preciso pensar no longo prazo. "Temos que transformar o Brasil num país rico nos próximos 30 anos. Rico mesmo, aumentando três, quatro vezes a renda per capita", disse.

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