A ressaca depois das vendas de fim de ano parece que neste ano não atingiu o comércio varejista. Mesmo com as férias escolares e um mês carregado de encargos com tributos como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), além das matrículas e compras de material escolar, o movimento nas ruas e nos shoppings demonstra que "sobrou muito gás" para o consumidor, ainda ávido pelas compras.
Mesmo considerado um dos piores meses para o segmento varejista, os lojistas da Capital já estimam aumento dos negócios superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Só para se ter uma ideia, as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mantido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), que avançaram em torno de 40%, confirmam a estimativa de aquecimento do movimento neste período do ano.
De acordo com as entidades do setor varejista, este mês deve registrar resultado superior ao verificado no ano passado graças à retomada da economia, que se tornou mais evidente a partir do segundo semestre do exercício passado, com a reabertura de empregos. O cenário hoje é bem diferente, em relação a janeiro de 2009, marcado pela desaceleração da economia brasileira, que redundou em perdas de milhares de postos de trabalho, principalmente nas indústrias extrativista e de transformação, pontos fortes da economia mineira. Com a perda da força de trabalho, a economia varejista sentiu os reflexos negativos, com a retração nas vendas.
Outro bom termômetro do setor - diretamente influenciado por um dos carros-chefes do crescimento da economia, o consumo das famílias -, é a pesquisa divulgada nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), revelando que, apesar de pelo menos 60% dos consumidores em potenciais estarem endividados, apenas 9% responderam não ter condições de quitar suas dívidas no curto prazo.
Esse número, de acordo com a CNC, não preocupa, já que a expectativa de inadimplência pode ser considerada baixa. A entidade dos lojistas vai mais além: "Há mais espaço para o consumidor se endividar".
O acesso fácil e farto ao crédito não só beneficiará os negócios do segmento varejista em janeiro, mas, como afirmam os economistas especializados na área, também deve influenciar o bom desempenho dos demais meses deste ano.
Baseado nessa premissa, lojistas iniciaram suas campanhas para "queima" de estoques no sentido de manter os negócios aquecidos. Os resutados têm sido satisfatórios, já que a grande maioria do setor varejista vem registrando movimento acima da média para esta época do ano. Mas como cautela não faz mal a ninguém, faz-se necessário redobrar o cuidado para não ultrapassar a tênue linha que separa a evolução do faturamento com os prejuízos causados pela inadimplência.